Atualizado em: 27 de janeiro de 2020

Nessa Conversa com Tania Lima, falamos de moda, maturidade, seus livros, a parceria com Costanza Pascolato, família, etc, etc.

Por: Mirtes Wiermann

Tania Lima, a Tuca, é uma fonte de energia. Sempre a vi com um sorriso largo, rodeado de um batom marcante. Tuca celebra a maturidade com a mesma vitalidade da vida toda. Incansável, não para de viver a sua história que começou como modelo. Tornou-se escritora, implantou as primeiras faculdades de moda do país, é palestrante e consultora de moda e imagem.

Aqui, ela compartilha seus melhores momentos e, claro, dá dicas preciosas sobre moda.

Conversa com Tania Lima: moda e vida criativa.

Conte-nos a sua história, como tudo começou?

Iniciei como modelo desde bem jovenzinha. Como era magérrima, bem alta e dançava (ballet e jazz), era convidada a desfilar para as lojas e participar de campanhas de publicidade e fotos. Aos 15 anos, venci um concurso de beleza em Belo Horizonte. Lá, fui convidada por uma modelo exclusiva do estilista Denner, a Lola, uma negra belíssima, que era dona de uma agência em BH, pra ser modelo dela.

Depois, fui morar em São Paulo para trabalhar e concluir a faculdade de Comunicação. Comecei a desfilar e dançar. Novo concurso para modelos e fui contratada pela Pauline´s, de Paris.

Morei em Londres onde também me formei em Moda e recebi um convite para fazer fotos para uma marca de cosméticos. Mas, estava casada e grávida e decidi voltar para o Brasil.

E, como foi sua volta ao Brasil?

No Brasil, abri minha escola de modelos e realizava muitas semanas de moda, participava da Fenit (maior feira de moda do Brasil na década de 1980) e fotos de moda. Passei a dar aulas de modelo profissional no Curso do Senac Ribeirão Preto e fui convidada a coordenar a área de Moda no SENAC.

Como pioneira, implantei os primeiros cursos superiores de moda no Brasil no Senac SP, Uniara, Unifacs, Unifran e Cursos Online e dirigi faculdades de moda por 15 anos.

Aqui, você também se tornou escritora?

Escrevi meu primeiro livro durante o Mestrado, em 2005. O segundo livro, Marketing – O glamour dos negócios da moda, em 2009, um sucesso absoluto de vendas e palestras no Brasil e no exterior. No terceiro, fui co-autora, Empreendedoras Coaching – Dicas de Mulheres Inspiradoras, em 2015, com um rol super especial de profissionais de destaque nas áreas de moda, beleza, estética e empreendedorismo.

Formei minha família, tenho dois filhos homens, de 33 e 30 anos, lindos, responsáveis, bons profissionais e bem sucedidos, graças a Deus. Fiquei viúva em 2018 e busco seguir adiante da melhor forma. Sou auto motivada, tenho muito dinamismo e entusiasmo com a vida.

O que você está fazendo agora?

Atualmente, sou consultora de moda, estilo e imagem pessoal e presto serviços em Negócios da Moda.  Atuo como consultora para marcas de Moda, Faculdades de Moda, Empresas de Comunicação e Eventos em Moda e Shoppings Centers. Apresento quadros em programas de TV falando sobre moda, tendências e comportamento. Preparo modelos e oriento fashion influencers para fotografar para as mídias digitais.

Você é co-autora do livro “Dicas de Mulheres Inspiradoras”, ao lado de Luiza Trajano, Chieko Aoki, Sonia Hess e Costanza Pascolato. Quais as dicas inspiradoras para as mulheres nesse livro?

Conversa com Tania Lima:  moda e vida criativa.
“Os tombos são oportunidades de aprendizagem, os sucessos são frágeis”.

O livro teve o propósito de mostrar que somos todas humanas, estudamos, temos casa, filhos, família, dores e glórias. Se as pessoas pensam que foi fácil atingir e se manter no sucesso durante tantos anos, é preciso saber que os tombos são oportunidades de aprendizagem, os sucessos são frágeis, precisam sustentação constante.

Não nos sentimos prontas nunca, somos eternas insatisfeitas com o conhecimento, temos sede de saber. Assim, estudar é imprescindível e a atualização deve ser contínua.

No livro, mostro como administrei cada crise da minha vida pessoal e profissional, como consegui cuidar da família tendo sido empresária por tantos anos, e algumas vezes com cargos de confiança em empresas de ´peso´, como tudo isso me levava a ser como um polvo, com mil tentáculos para equilibrar tudo ao mesmo tempo. 

Cada queda deve servir de trampolim para um alvo mais relevante, esta é uma das lições que deixo no livro. Foi uma grande honra estar com pessoas de destaque e algumas delas com quem aprendi bastante, que é o caso da Costanza Pascolato, um exemplo inspirador para qualquer profissional do mundo da moda e do comportamento. Ela tem o que eu chamo de elegância natural e isso é raro.

Costanza Pascolato, impecável em seus 80 anos, é a papisa da moda no Brasil. Mas, ela diz que nunca esteve na moda. E você, como define o seu estilo e como ele mudou com o passar dos anos?

Compreendo muito o que ela quer dizer com isso. Diferente do que todos imaginam, nós da moda, ´fugimos´ do lugar comum.

Gostamos do ´diferente´, do que ninguém tem, do que é raro (não necessariamente ´caro´) e daquilo que permite nosso toque pessoal. Assim sou eu, nunca uso uma roupa do jeito que ela veio da loja, sempre tiro uma manga, aumento a barra, prego algo em cima, mudo o cinto, a echarpe ou aumento o decote. Assim me sentirei ´eu mesma´ com minha essência, meu ID pessoal, com a ´minha cara´. A moda uniformiza, o estilo diferencia. Quando iniciei na moda, era uma mulher extravagante, ousada e criativa. Entitulo meu estilo de ´CLÁSSICA COM PIMENTA´, quem foi minha aluna sabe disso. Atualmente mantenho esse estilo, mas me contenho nas cores, nas estampas, nos decotes, fendas, transparências e em tudo aquilo que não cabe numa pessoa que respeita sua própria idade e imagem.

Qual a sua roupa preferida agora?

Uso muitas roupas monocromáticas e mais ´clean´. A minha ousadia é pontuada nos acessórios (brincos, óculos, bolsas, echarpes, relógios). Gosto de tudo que me deixa confortável, elegante, segura e principalmente ´com a minha cara´.  Prezo pela qualidade e não quantidade.

Opto por não usar estampas, exceto as clássicas, minhas roupas são muito tradicionais com um toque de refinamento. Evito usar babados, franzidos, pregueados, bordados, estamparias amplas convencionais e os xadrezes … raramente. Existem itens do vestuário que nunca aprovei para meu corpo: calças pantacourt,  pochetes, moletons, conjuntos esportivos, pulseiras barulhentas, entre outros

 A moda é uma linguagem essencial para definir a personalidade de uma pessoa. Como as mulheres maduras podem continuar a usar e abusar da moda?

Devem usar a moda a seu favor, conhecer seu corpo, seu estilo, definir bem a imagem que desejam passar seja no trabalho ou na vida social.

A consultoria de moda faz exatamente isso, identifica o estilo, os objetivos, estuda a silhueta e o tipo físico da pessoa. Encontra o padrão de beleza ideal, adequa o guarda-roupa com itens favoráveis à estrutura corporal da cliente e monta looks que facilitem sua vida no dia a dia, uma mala de viagem e trajes adequados para jantares, festas, etc.

Mais importante que estar na última moda é conhecer a si mesma, usar cores, formas, comprimentos, tecidos e cortes que favoreçam a silhueta. O toque para seguir as tendências pode ser adotado para um sapato, uma echarpe, um acessório de cabelo, uma bolsa e assim a pessoa se sente na moda, sem ser vítima dela.

Você compra moda pela Internet?

Sim, compro muito pela internet. No site Privália tem sempre coisas boas a bom preço. No site AliExpress você pode saber a medida de cada parte da roupa e verificar tecido, costuras, caimento, etc. Eu não consumo ´Branding´, eu vendo Marca mas não compro marca. Há apenas duas ou três marcas famosas com as quais me identifico e gosto de ter alguns itens. Mas não sou consumista. Tudo que tenho de marca famosa, se materializa em bolsas, perfumes, sapatos e echarpes.

Aqui nós falamos especialmente para as mulheres que já passaram dos 40 anos. O que define essa nova fase da vida para você?

Na fase em que me encontro, busco usar as experiências que trouxeram conhecimento e a sabedoria conquistada até aqui. Vivo intensamente, aproveito cada momento, não tenho preconceito, assim atraio pessoas inteligentes, arrojadas, corajosas que me fazem bem, sejam quaisquer que sejam as idades, os credos, raças, opções religiosas, sexuais, etc.

O que me importa é me relacionar com gente de conteúdo útil. Minha meta é sempre fazer as pessoas felizes, deixar minha marca de conhecimento e do bem com elas. E recebo o que trazem de bom.

Culturalmente, o envelhecimento é visto como algo triste. Como podemos mudar a marca do envelhecimento?

Vivo bem com minha idade, minhas marcas do tempo e a vida que escolhi pra mim. Nunca me senti tão autossuficiente, tão livre para ser, pensar e fazer tudo que desejo, do jeito que desejo.

Confesso que não acho a melhor coisa do mundo o fato de não ter mais o mesmo corpo, a mesma textura da pele e do cabelo que tive no passado, mas tenho algo mais hoje que não troco por nada, que está contido na alma, no coração e na mente: minha maturidade com espírito jovem. Digo sempre que tenho 61 anos, mas me sinto com 25.

Qual é a sua filosofia de vida?

Preze você mesma. Respeite-se, ame-se e atrairá o mesmo de quem convive com você.

Relembro uma verdade na fala de um expert:

Ter estilo é ser, não parecer que é. (Antonio Bernardo – joalheiro)

Agradecemos o bate-papo, Tania.

www.instagram.com/tanialima_tuca/

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